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 Como é que se Diz Eu te Amo?

CD Legião Urbana - Como é que se diz eu te amo
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Monte Castelo

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria...

É só o amor, é só o amor Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja Ou se envaidece...

O amor é o fogo Que arde sem se ver
É ferida que dói E não se sente
É um contentamento Descontente
É dor que desatina sem doer...

Ainda que eu falasse A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria...

É um não querer Mais que bem querer
É solitário andar Por entre a gente
É um não contentar-se De contente
É cuidar que se ganha Em se perder...

É um estar-se preso Por vontade
É servir a quem vence O vencedor
É um ter com quem nos mata A lealdade
Tão contrário a si É o mesmo amor...

Estou acordado E todos dormem,
Todos dormem Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...

Ainda que eu falasse A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos Sem amor, eu nada seria...



Categoria: Mp3
Escrito por Ana Maria às 10h02
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A Quem Tiver Carro

O carro começou a ratear. Levei-o ao Pepe, ali na oficina da Rua Francisco Otaviano:

- Pepe, o carro está rateando.

Pepe piscou um olho:

- Entupimento na tubulação. Só pode ser.

Deixei o carro lá. À tarde fui buscar.

- Eu não dizia? Defeito na bomba de gasolina.

- Você dizia entupimento na tubulação.

- Botei um diafragma novo, mudei as válvulas. Estendeu-me a conta: de meter medo. Mas paguei.

- O carro não vai me deixar na mão? Tenho de fazer uma viagem.

- Pode ir sem susto, que agora está o fino.

Fui sem susto, a caminho de Itaquatiara. O fino! Nem bem chegara a Tribobó o carro engasgou, tossiu e morreu. Sorte a minha: mesmo em frente ao letreiro de "Gastão, o Eletricista".

- Que diafragma coisa nenhuma, quem lhe disse isso? - e Gastão, o Eletricista, um mulatão sorridente que consegui retirar das entranhas de um caminhão, ficou olhando o carro, mãos na cintura:

- O senhor mexeu na bomba à toa: é o dínamo que está esquentando.

Molhou uma flanela e envolveu o dínamo carinhosamente, como a uma criança.

- Se tornar a falhar é só molhar o bichinho. Vai por mim, que aqui no Tribobó quem entende disso sou eu.

Nem no Tribobó: o carro não pegava de jeito nenhum.

- Então esse dínamo já deu o prego, tem de trocar por outro. Não pega de jeito nenhum.

Para desmenti-lo, o motor subitamente começou a funcionar.

- Vai morrer de novo - augurou ele, - e voltou a aninhar-se no seu caminhão.

Resolvi regressar a Niterói. À entrada da cidade a profecia do capadócio se realizou: morreu de novo. Um chofer de caminhão me recomendou o mecânico Mundial, especialista em carburadores - ali mesmo, a dois quarteirões. Fui até lá e em pouco voltava seguido do Mundial, um velho compenetrado arrastando a perna e as idéias:

- Pelo jeito, é o carburador.

Olhou o interior do carro, deu uma risadinha irônica:

- É lógico que não pega! O dínamo está molhado!

Enxugou o dínamo com uma estopa: o carro pegou.

- Eu se fosse o senhor mandava fazer uma limpeza nesse carburador - insistiu ainda. - Vamos até lá na oficina...

Preferi ir embora. Perguntei quanto era.

- O senhor paga quanto quiser.

Já que eu insistia, houve por bem cobrar-me quanto ele quis.

Cheguei ao Rio e fui direto ao Haroldo, no Leblon, que me haviam dito ser um monstro no assunto:

- Carburador? - e o Haroldo não quis saber de conversa. - Isso é o platinado, vai por mim.

Cutucou o platinado com um ferrinho. Fui-me embora e o carro continuava se arrastando aos solavancos.

- O platinado está bom - me disse o Lourival, lá da Gávea. - Mas alguém andou mexendo aqui, o condensador não dá mais nada. O senhor tem de mudar o condensador.

Mudou o condensador e disse que não cobrava nada pelo serviço. Só pelo condensador.

No dia seguinte o carro se recusou a sair da garagem.

- Não é o diafragma, não é o carburador, não é o dínamo, não é o platinado, não é o condensador - queixei-me, deitando erudição na roda de amigos. Todos procuravam confortar-me:

- Então só pode ser a distribuição. O meu estava assim...

- Você já examinou a entrada de ar?

- Para mim você está com vela suja.

E recomendavam mecânicos de sua preferência:

- Tem uma oficina ali na rua Bambina, de um velho amigo meu.

- Lá em São Cristóvão, procure o Borracha, diga que fui eu que mandei.

- O Urubu, ali do “Posto 6”, dá logo um jeito nisso.

Não procurei o Urubu, nem o Borracha, nem o Zé Pára-Lama, nem o Caolho dos Arcos, nem o Manquitola do Rio Comprido, nem o Manivela de Voluntários, nem o Belzebu dos Infernos, esqueci o automóvel e fui dormir. Pela minha imaginação desfilava um lúgubre cortejo de tipos grotescos, sujos de graxa, caolhos, pernetas, manetas, desdentados, encardidos, toda essa fauna de mecânicos improvisados que já tive de enfrentar, cuja perícia obedece apenas à instigação da curiosidade ou à inspiração do palpite, que é a mais brasileira das instituições.

Mas pela manhã me lembrei de um curso que se anuncia aconselhando: "Aprenda a sujar as mãos para não limpar o bolso". Resolvi candidatar-me - e quem tiver ouvidos para ouvir, ouça, quem tiver carro para guiar, entenda. Fui à garagem, abri o capô, e fiquei a olhar intensamente o motor do carro, fria e silenciosa esfinge que me desafiava com seu mistério: decifra-me, ou devoro-te. Havia um fio solto, coloquei-o no lugar que me pareceu adequado. Mas não podia ser tão simples...

Era. Desde então, o carro passou a funcionar perfeitamente...

 

Fernando Sabino

Extraído do livro "As Melhores Crônicas de Fernando Sabino", Editora Record, Rio de Janeiro/São Paulo, 2003, pág. 10.



Categoria: Textos
Escrito por Ana Maria às 08h15
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Inferno nacional

A historinha abaixo transcrita surgiu no folclore de Belo Horizonte e foi contada lá, numa versão política. Não é o nosso caso. Vai contada aqui no seu mais puro estilo folclórico, sem maiores rodeios.

Diz que uma vez um camarada que abotoou o paletó.(...) Ao morrer nem conversou: foi direto ao Inferno. Em chegando lá, pediu audiência a Satanás e perguntou:

- Qual é o lance aqui? Satanás explicou que o inferno estava dividido em diversos departamentos, cada um administrado por um país, mas o falecido não precisava ficar no departamento administrado pelo seu país de origem. Podia ficar no departamento do país quer escolhesse. Ele agradeceu muito e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher o seu departamento.

Está claro que saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o departamento dos Estados Unidos, achando que lá devia ser mais organizado o inferninho que lhe caberia para toda a eternidade. Entrou no departamentodos Estados Unidos e perguntou como era o regime ali.

- Quinhentas chibatadas pela manhã, depois passar duas horas num forno de duzentos graus. Na parte da tarde: ficar numa geladeira de cem graus abaixo de zero até as três horas, e voltar ao forno de duzentos graus.

O falecido ficou besta e tratou de cair fora, em busca de um departamento menos rigoroso. Esteve no da Rússia, no do Japão, no da França, mas era tudo a mesma coisa. Foi aí que lhe informaram que tudo era igual: a divisão em departamento era apenas para facilitar o serviço no Inferno, mas em todo lugar o regime era o mesmo: quinhentas chibatadas pela manhã, forno de duzentos graus durante o dia e geladeira de cem graus abaixo de zero, pela tarde.

O falecido já caminhada desconsolado por uma rua infernal, quando viu um departamento escrito na porta: Brasil. E notou que a fila à entrada era maior do que a dos outros departamentos. Pensou com suas chaminhas: "Aqui tem peixe por debaixo do angu". Entrou na fila e começou a chatear o camarada da frente, perguntando por que a fila era maior e os enfileirados menos tristes. O camarada da frente fingia que não ouvia, mas ele tanto insistiu que o outro, com medo de chamarem atenção, disse baixinho:

- Fica na moita, e não espalha não. O forno daqui está quebrado e a geladeira anda meio enguiçada. Não dá mais de trinta e cinco graus por dia.

- E as quinhentas chibatadas? - perguntou o falecido.

- Ah... O sujeito desse serviço vem aqui de manhã, assina o ponto e cai fora.


Categoria: Textos
Escrito por Ana Maria às 00h36
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Charge Dança do Creu original dos Brasileiros



Categoria: Vídeos
Escrito por Ana Maria às 11h09
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Minas Enigma

SE SOU mineiro? Bem, é conforme, dona. (Sei lá por que ela está perguntando?) Sou de Belzonte, uai.

Tudo é conforme. Basta nascer em Minas para ser mineiro? Que diabo é ser mineiro, afinal? Inglês misturado com oriental? É fumar cigarro de palha?

Em suma: ser mineiro é esperar pela cor da fumaça. É dormir no chão para não cair da cama. É plantar verde pra colher maduro. É não meter a mão em cumbuca. Não dar passo maior que as pernas. Não amarrar cachorro com lingüiça.

Porque mineiro não prega prego sem estopa. Mineiro não dá ponto sem nó. Mineiro não perde trem.

Mas compra bonde.

Compra. E vende pra paulista.

Evém o mineiro. Ele não olha: espia. Não presta atenção: vigia só. Não conversa: confabula. Não combina: conspira. Não se vinga: espera. Faz parte do decálogo, que alguém já elaborou. E não enlouquece: piora. Ou declara, conforme manda a delicadeza. No mais, é confiar desconfiando. Dois é bom, três é comício. Devagar que eu tenho pressa.

Apólogo mineiro: o boi velho e o boi jovem, no alto do morro - lá embaixo uma porção de vacas pastando. O boizinho, incontido:

- Vamos descer correndo, correndo e pegar umas dez?

E o boizão, tranqüilamente:

- Não: vamos descer devagar, e pegar todas.

Mais vale um pássaro na mão. A Academia Mineira, há tempos, pagava um  jeton ridículo: duzentos cruzeiros - antigos, é lógico. Um dos imortais, indignado, discursava o seu protesto:

- Precisamos dar um jeito nisso! Duzentos cruzeiros é uma vergonha! Ou quinhentos cruzeiros, ou nada!

Ao que um colega prudentemente aparteou:

- Péra lá: ou quinhentos cruzeiros, ou duzentos mesmo.

Um Estado de nariz imenso, um estado de espírito: um jeito de ser. Manhoso, ladino, cauteloso, desconfiado - prudência e capitalização.

- Meu filho, ouça bem o seu pai: se sair à rua, leve o guarda-chuva, mas não leve dinheiro. Se levar, não entre em lugar nenhum. Se entrar, não faça despesas. Se fizer, não puxe a carteira. Se puxar, não pague. Se pagar, pague somente a sua.

Mas todos os princípios se desmoronam diante de um lombo de porco com rodelas de limão, tutu de feijão com torresmos, lingüiça frita com farofa. De sobremesa, goiabada cascão com queijo palmira. Depois, cafezinho requentado com requeijão. Aceita um pão de queijo? biscoito polvilho? brevidade? ou quem sabe uma broinha de fubá? Não, dona, obrigado. As quitandas me apertencem, mas prefiro bolinho de januária, e pronto: estou sastisfeito...

Falar de Minas, trem danado, sô. Vasto mundo! ah, se eu me chamasse Raimundo. Dentro de mim uma corrente de nomes e evocações antigas, fluindo como o Rio das Velhas no seu leito de pedras, entre cidades imemoriais. Prefiro estancá-las no tempo, a exaurir-me em impressões arrancadas aos pedaços, e que aos poucos descobririam o que resta de precioso em mim - o mistério da minha terra, desafiando-me como a esfinge com o seu enigma: decifra-me, ou devoro-te.

Prefiro ser devorado.

Fernando Sabino

Extraído do livro "As Melhores Crônicas de Fernando Sabino", Editora Record, Rio de Janeiro/São Paulo, 2003, pág. 136.



Categoria: Textos
Escrito por Ana Maria às 00h39
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Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moraes



Escrito por Ana Maria às 18h03
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Pro amanhã ser melhor!!!

Vamos lá pra fora saudar a nova vida que vem

Cada dia que começa tem que ser sempre uma festa

Por que a vida passa e não espera por ninguém

Vamos lá dançar, nada de esperar

Vamos fazer o sonho acontecer

Vamos construir juntos, um novo mundo pra gente viver

Não espere o sol nascer pra sair da cama

Assista o alvorecer deitado na grama

Amando a vida, a natureza, carregando as pilhas

Pra passar o dia alegre, cheio de energia

Aí você vai encontrar alguém especial

Que faça o amanhã ser ainda melhor

                                                  Ana Maria F. Estevan



Escrito por Ana Maria às 18h35
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